BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Mulher, de 20 a 25 anos, Portuguese, English, Arte e cultura, Música, Cinema e vídeo
ICQ - 36012719

 

   

    Meu Flog
  Onde estudo
  Onde trabalho
  First and Foremost - Flog
  Handful of Nothing - Flog
  Freedom is just a state of mind - Flog
  jjpendragon - Flog
  Folie a Deux - Blog
  Littera - A Banda do Vanzo
  Gardel & Associados - Blog
  Fly - Blog
  Quincas - Flog
  O Despertar do Mundo Novo - blog
  shimatta ne... - Flog
  Tolchokes in my Guliver - Blog
  Tokidoki
  Dream Theater
  Stealth - Banda do Fabrício
  The Gathering
  Shaman
  Iced Earth
  Lacuna Coil
  Blind Guardian
  Angra


 

    24/10/2004 a 30/10/2004
  19/09/2004 a 25/09/2004
  29/08/2004 a 04/09/2004
  15/08/2004 a 21/08/2004
  01/08/2004 a 07/08/2004
  25/07/2004 a 31/07/2004
  18/07/2004 a 24/07/2004
  11/07/2004 a 17/07/2004
  04/07/2004 a 10/07/2004
  27/06/2004 a 03/07/2004
  20/06/2004 a 26/06/2004
  13/06/2004 a 19/06/2004
  06/06/2004 a 12/06/2004
  30/05/2004 a 05/06/2004


 

   

   


 
 
Souvenirs



Horas

Tempo

Ter tempo

Usar o tempo

Otimizar o tempo

Matar o tempo

Relações delicadas

Diferenças discretas

 

Quanto menos coisas tenho pra fazer, mais me enrolo

Quando tenho muito pra fazer programo cada minuto

Hoje estou à toa e não sei como me programar

Queria fazer tanta coisa

Não saio da frente desse micro

 

Hoje o tempo não colabora...

O tempo, o clima, está feio, chuvoso

Queria andar

E em dias de sol vou querer ler

 

Tenho sono, sono, sono...

Chegava cedo na faculdade e estudava

Agora eu durmo

 

Estou sempre em crise com o tempo

O tempo é que não colabora comigo...



Escrito por Girl in the box às 13h18
[   ] [ envie esta mensagem ]




"I`m a loser baby, so why don`t you kill me?!"

É a Lívia, mas ela deixou eu usar... eu não estou falando da Lívia, mas a imagem é boa, eu gostei dela, a cara de "eu tentei" do coelho é muito boa. 

Há diversos modos de encarar o que ocorre na vida, diferentes formas de entender pelo que está passando. Hoje eu acordei com a pior visão possível da minha vida. O dia em que nada da certo, em que não há recompensa, quando ninguém se importa.

É o dia de se achar gorda, feia, trocar de roupa quinze vezes antes de sair de casa e no caminho perceber que fez a pior escolha; meu cabelo está sem corte e preciso de roupas novas. 

Na verdade, começaria por querer imensamente ficar mais na cama, estou com sono, é o terceiro dia que acordo com dor de cabeça. A grana ta acabando, as notas estão caindo. Estou fazendo trabalhos chatos, só sobrou eu por aqui, de pesquisas a furar papel.

Não deveria estar escrevendo, deixei de escrever por tanto tempo e agora, no meio do expediente, com uma série de coisas que devem ser feitas eu estou aqui...

A partir do momento em que de fato acredita que seu dia será uma merda, começa a perceber e a dar grandes dimensões a bobagens, as pequenas coisas se tornam uns grandes problemas. Exemplinho besta: bandejão da USP, um formigueiro, nenhum dos outros três lugares da mesa onde eu estava foram ocupados, além de feia, eu devo feder. Outras coisas mais vão ocorrendo e, na sua cabeça, é culpa de sua ignorância, insignificância e por ai vai...

Mas eu estou trabalhando duro, pra tudo, sei disso, ainda serei recompensada e não vai ser no céu, mas aqui mesmo, apesar de tudo, tenho meu otimismo.

A vantagem desses dias é que eles fazem parar pra pensar, pra mim, são os dias que terminam com alguma percepção útil, jogadas todas as bobagens fora. Além de ver o futuro com pessimismo, o que ajuda a prever possíveis problemas, sim, por que o problema não é hoje, mas toda a minha vida será um lixo na visão de hoje.

Conseqüências de uma vida moderna cheia de pessoas deprimidas, depressivas, descontentes e perdidas. De quem mesmo eu estou falando?

É incrível a quantidade de mecanismos inúteis que criamos pra não nos sentir tão perdidos e sozinhos. Um blog! Comunidades “orkutianas” um bando de infelizes problemáticos que querem encontrar outros problemáticos, para não ser um problemático isolado, mas um grupo deles.

Não espere pelos outros pra se sentir bem, você é o único que realmente se importa, as pessoas te descartam assim que você passa a não ser mais interessante e você faz o mesmo com elas.  

Chega já, ninguém vai ler mesmo e assim encerrarei meu ciclo de “nada faz diferença”...

E compaixão ou dó MY ASS!!! Você também tem seu dia de merda.

Ouvindo Sepultura: Against 



Escrito por Girl in the box às 12h59
[   ] [ envie esta mensagem ]




Uma segunda opinião

Adentrando na parte psicológica da religião, encontrei um trecho interessante de uma obra de Freud que oferece uma visão simples e clara da necessidade de Deus criada pelo homem.

 

O fato de ter sido escrito por Freud não torna a idéia irrefutável, é apenas, como deixei claro no título, uma segunda opinião.

Definitivamente ela é válida, claro. É apenas um trecho, o início de um pensamento que ele desenvolveu ao logo da obra toda, mas é uma interessante ponta de iceberg da visão freudiana da criação de Deus pelo homem. 

 

“As idéias religiosas, proclamadas como ensinamentos, não constituem precipitados de experiência ou resultados finais de pensamentos: são ilusões, realizações dos mais antigos, fortes e prementes desejos da humanidade. O segredo de sua força reside na força desses desejos.

 

A impressão terrificante de desamparo na infância despertou a necessidade de proteção (de proteção através do amor), a qual foi proporcionada pelo pai; o reconhecimento de que esse desamparo perdura através da vida tornou necessário aferrar-se à existência de um pai, dessa vez, porém, um pai mais poderoso. Assim o governo benevolente de uma providência divina mitiga nosso temor dos perigos da vida; o estabelecimento de uma ordem moral mundial assegura a realização das exigências de justiça, que com tanta freqüência permaneceram irrealizadas na civilização humana; e o prolongamento da existência terrena numa vida futura fornece a estrutura local e temporal em que essas realizações de desejo se efetuarão. As respostas aos enigmas que tentam a curiosidade do homem, tais como a maneira pela qual o universo começou ou a relação entre corpo e mente, são desenvolvidas em conformidade com as suposições subjacentes a esse sistema. Constitui alívio enorme para a psique individual se os conflitos de sua infância, que surgem do complexo paterno (conflitos que nunca superou inteiramente), são dela retirados e levado a uma solução universalmente aceita”.

 

Sigmund Freud -  “O Futuro de uma ilusão”

PS: Não tive tempo de procurar algo para ilustrar isso, quase não deu tempo de escrever, eu disse que iria demorar. Caso queira ver figurihas, visite o fotolog!!



Escrito por Girl in the box às 21h42
[   ] [ envie esta mensagem ]




O sexo dos anjos

Religião e sexo, os últimos temas abordados respectivamente pelo meu blog e pelo fotolog, foram os mais comentados. Até me espantei, 8 pessoas comentaram o post anterior sobre religião, e não foram apenas "oi, passei por aqui", foram opiniões, Fiquei muito contente com isso! Colocar desenhos de mulheres peladas no fotolog provocou o mesmo efeito, comentários diversos, aparições inusitadas. 

Sexo e religião... por que causam tanta polêmica, ou será incômodo?

Religião é fácil, é gostoso, todos querem se expressar dizer o que sentem, compartilhar experiências pessoais. A influência dos pais e da família é sempre muito forte e, assim como aconteceu comigo, noto que é muito normal o questionamento na adolescência e disso surgem histórias diversas.

Sexo não parece tão fácil... comentar desenhos pode ser algo divertido, mas me interesso em saber o que as pessoas pensam sobre isso. É tão polêmico quanto religião, mas pode gerar desconforto ao ser abordado. E quando digo sexo, não me refiro à pornografia ou depravação, mas sexo como algo natural, como algo necessário e fundamental ao ser humano.

E a religião diz aonde devemos enfiar o sexo. Ao mesmo tempo a bagunça criada pela religião ao questionarmos, descobrirmos e sentimos o que de fato aquilo tem importância nas nossas vidas é também criada pelo sexo. A criação da maioria de nós conforme o catolicismo nos ensina que somos reprodutores, homossexuais são doentes e camisinha não deve ser usada por que o sexo não é diversão.

Já sonhei em casar de branco e pensava que 18 anos era uma idade boa para perder a virgindade... Já que temos idade suficiente para dirigir e assistir filmes de terror, deve ser o tempo certo para adquirir coordenação suficiente para ter relações sexuais; nunca achei que casaria virgem. Uma grande mistura das minhas concepções de sexo e religião, uma distorção das duas com pitadas do código civil. 

Meus pais foram seus primeiros namorados, se conheceram aos 18 anos, casaram na igreja (virgens) aos 24/25, minha mãe com um lindo vestido branco. Admiro o relacionamento deles, o respeito, o amor, a união. Pego muitas coisas deles como exemplo, mas nunca pensei que comigo seria o mesmo, não tem como, é quase outro mundo. Não há certo e errado, tenho amigos que pensam como eles e vejo que eles tem amigos que agiram como eu, não é apenas uma questão de mudanças sociais, é pessoal.

Ainda quero continuar a tratar de religião, os comentários do último post deram margem a diversos caminhos para continuar a discussão, mas as aulas voltaram e sei que vou demorar pra escrever novamente...

Por favor, não sumam!!

 

John deacon já dizia: "God knows I want to break free". 



Escrito por Girl in the box às 22h03
[   ] [ envie esta mensagem ]






Santo anjo do Senhor, meu zeloso guardador, se a ti me confiou a bondade divina. Sempre me rege, me guarde, me governe, me ilumine. Amém. E depois um Pai Nosso e então uma Ave Maria. Foi assim durante uns bons anos, todas as noites antes de dormir eu juntava minhas mãozinhas e rezava. Dificilmente me esquecia e me sentia mal se não o fizesse.

 

Não lembro exatamente quanto durou, acho que parei na 7ª ou 8ª série, não me lembro. Estudei em colégio católico durante 9 anos, da pré-escola ao final do que antes se chamava ginásio. Aulas de ensino religioso durante todos esse anos e sempre com freiras. A verdade é que me acostumei a ser católica, era natural, como ser de São Paulo, ser católico.

 

Fiz catecismo, 1 ano, demorou pra achar uma paróquia onde fosse apenas 1 ano, geralmente eram 2. Não era muito perto, mas era 1 ano só; nessa época eu tinha uns 12 anos. Missa todos os domingos, eu tinha que gostar, era intrínseco aos seres católicos ir à missa e gostar. Eu não gostava, eu me cansava, queria sair, não tinha paciência, tinha sono.Mas se eu não fizesse minha primeira comunhão, depois não poderia casar na igreja vestindo um repolho.

 

Não gostava daquela história de onipresente, porra, deixa eu ir no banheiro em paz!! Ele vê tudo, sabe tudo e um dia você será julgado! Pesava pra uma criança, a culpa por... não sei... Me confessar foi horrível, não gostei, não me senti bem, nunca mais fiz.

 

Então eu fui crescendo, lendo, observando, sentindo e pensando, pensando muito. Então percebi (Oh!!): isso nunca havia feito sentido pra mim. Nunca senti Deus, nunca achei realmente que algo que acontecia era por forças divinas e superiores. Então, negar aquilo tudo, de repente fez eu me sentir leve!

 

Não acho que tive uma educação errada, o colégio católico me ensinou muita coisa e principalmente me ensinou a não ser católica! Conheci muito bem uma religião, estudei ela durante muito tempo, como sei que dificilmente estudarei outra. Mas quando criei consciência, rejeitei-a, percebi que não era o que eu queria, não era o que me satisfazia.

 

Não acredito em Deus ou anjos ou espíritos; acreditaria se algum dia algum desses nomes de fato tivesse significado algo para mim, nunca é tarde, mas ainda não aconteceu.

 

Acho que sou atéia, mas, definitivamente, não quero fazer disso uma religião. 

Aberta a discussões!  



Escrito por Girl in the box às 11h00
[   ] [ envie esta mensagem ]




Pec!!!

Estava lá sentadinha esperando o patrão sair do telefone pra falar; na cadeira ao lado tinha uma coisa qualquer embrulhada em plástico bolha, não resisti. Pec... pec... pec… até que um fez um pouco mais de barulho, puxei a mão e fiquei quieta. O homem sorriu e fez um gesto com a mão pra que eu continuasse a estoura-las. Acho que todo o mundo, isso mesmo, todo o mundo adora estourar plástico bolha!

Meu avô tinha um carro coberto por plástico bolha e tinha também 7 netos pequenos dos quais eu era a mais nova (uns 6 anos) e que, como todo o mundo, adoravam estourar as bolhas do plástico. Era uma diversão do tamanho de um carro. Desse tempo só sobrou a casa e a vó que era casada com o vô. Foi o carro, foi o plástico foi o vô...

Sobraram as lembranças, estas sempre sobram, estão sempre por perto. Somos lembranças, não devemos viver o passado, mas só somos algo hoje porque houve um passado.

Nessas duas semanas vivi fortes emoções com lembranças. Vieram junto com pessoas que apareceram dos mais diversos cantos, das mais diversas fases da minha vida. Pessoas do colégio do fundamental, do médio, de nenhum deles, do nada, de outro país, de outro estado.

Gostei muito de reencontrar tantas pessoas e com elas as lembranças pipocam como uma criança estourando um plástico bolha e pec... pec... pec...

São os cabelos que crescem, namorados e namoradas que vem e vão, faculdades, empregos, família. Histórias novas e lembranças, muitas lembranças que vem não necessariamente nas conversas, mas principalmente na volta pra casa, na hora de dormir.

A pior parte é mesmo ficar só com as lembranças, é difícil seleciona-las e acabam surgindo aquelas recordações que nem sempre são as mais agradáveis, mas que são tão ou mais importantes do que as boas. Toquei demais em feridas não muito bem fechadas e acabou doendo.

Amigos e lembranças.

As músicas sempre têm coisas boas pra me dizer, essa, se encaixa muito bem com a ocasião:

 

In my life – Lennon & McCartney

 

There are places I remember all my life / Though some have changed / Some forever, not for better / Some have gone and some remain / All these places have their moments / With lovers and friends I still can recall / Some are dead and some are living / In my life I've loved them all / But of all these friends and lovers / There is no one compares with you / And these memories lose their meaning / When I think of love as something new / Though I know I'll never lose affection / For people and things that went before / I know I'll often stop and think about them / In my life I love you more



Escrito por Girl in the box às 20h56
[   ] [ envie esta mensagem ]




1ª Expo Charm's

Quinta-feira, 15 de julho de 2004, esquina da Augusta com outra rua que nunca lembro o nome. Estávamos eu, o Diego e um casal de amigos (Isis e Gil) numa mesa do lado de fora do recinto – Charm’s, um barzinho meio boteco que virou “cool”. Cervejinha, porcarias fritas, papo vai, papo vem...

Na mesa ao lado tinha um grupo de mulheres, pareciam ter uns 25 anos e uma delas tinha uma caixa de lápis de cor e um bloco de papel e estava fazendo alguns rabiscos ou desenhos.      

Por lá sempre aparecem crianças vendendo suas balas pra ajudar a família e coisa e tal, o famoso trabalho infantil. Nesse dia estava lá um grupo de 4 meninas, todas juntas, se conheciam, cada uma com suas caixinhas ganhando a féria, a mais nova parecia ter cerca de 10 anos, a mais velha não passava de 14.

Em certo momento percebemos um movimento ao lado, a moça que desenhava deu lápis e papel para o grupo de meninas, a mesa virou um atelier, as caixas de balas foram esquecidas e trocadas por coisas mais divertidas. As meninas se apoiavam na parede pra desenhar e ficavam mostrando pras “tias” pra saber se estavam bonitos seus desenhos.

Virou uma farra, as meninas só queriam saber de pintar. O papel que estavam usando era adesivo; a dona dos lápis resolveu então montar uma exposição e grudou todos os trabalhos das meninas na parede. Elas adoraram, se sentiram importantes, artistas, grudavam e ficavam olhando.

Minha câmera fotográfica estava na mala, a do Diego também, resolvemos entrar na brincadeira e fazer farra com as meninas. Os flashs as deixaram ainda mais felizes, posaram pra fotos e sorriam.

As balas que antes vendiam estavam... em algum lugar no meio dos lápis.  

Uma delas sempre tirava foto fazendo o símbolo da paz com as mãos. Ela fez 2 desenhos, no primeiro, um coração grande, do tamanho da folha, com vários enfeites atrás, tinha um rosto triste, uma lágrima caía; ela escreveu encima do desenho: “Paz não é uma palavra mais sim uma atitude!!! Queremos um mundo sem guerras!!!”. Seu segundo desenho ela colou embaixo, era o mesmo coração, do mesmo tamanho, com os mesmos enfeites, mas esse tinha um largo sorriso.

Assim foi a 1ª Expo Freestyle – Arte na Rua – Estilo Livre – no Charm’s.

Caberia agora um parágrafo de conclusão no qual eu deveria falar sobre o problema da exploração infantil na cidade de São Paulo e a falta de políticas sociais que blá blá blá... Não estou treinando para o vestibular e ainda não sou hipócrita. A noite apenas mostrou que criança é criança, gosta de brincar, falar, pular, desenhar. E eu gostei de presenciar e participar da brincadeira, sem antes, sem por que ou sem depois. Quem ler isso que tire suas próprias conclusões sobre o assunto; aliás, adoraria ler algumas opiniões!

E eu não compro balas de crianças e continuo não dando esmolas a pessoas nas ruas. 

Estas são três das expositoras da grande noite!



Escrito por Girl in the box às 19h06
[   ] [ envie esta mensagem ]




Observações

Ao menos uma vez por semana (rodízio do carro) vou à faculdade de ônibus e metrô. Pego o segundo ônibus na Praça da República, último ponto da Av. Ipiranga (aquela que cruza a Av. São João – rs...), sentido Av. Paulista. Ao sair da estação de metrô sempre sinto o mesmo cheiro, desinfetante de eucalipto, jogam desinfetante pra tirar o cheiro de urina, há vários moradores na praça, casa tem que ter banheiro. O cheiro vira meu estomago todas as manhas que passo por lá, aprendi que ao subir as escadas devo prender a respiração por um tempo. 

Sempre observei os moradores do local, na região do ponto em que espero ônibus há quatro fixos que acompanho a cada semana. Mendigos encaixam-se perfeitamente no substantivo de excluídos socialmente. É uma condição deplorável, bichos na selva de pedras que caçam comida em lixo e dormem no asfalto.

Entram em um mundo a parte, um lugar deles, uma realidade paralela. Aqueles que preservam um mínimo de sanidade ainda conseguem juntar seus papelões e tábuas e “construir” algo em algum viaduto que encontrar, favela ou coisa parecida.

Escrevo aqui sobre aqueles para os quais a vida que conhecemos não existe mais, perdeu o sentido; não há uma mínima esperança, não há saída. O que acho curioso notar é que muitas dessas pessoas não são exatamente loucas, de algum modo elas sabem o que fazem.

Os que observo estão sempre nos mesmos locais, toda semana e cada um tem um modo característico, um humor constante, uma lógica no modo de agir, uma personalidade perceptível. Isso me faz concluir que eles não perderam o sentido completamente e ainda tem alguma consciência de vida e não somente de sobrevida.

Há um que é bem novo, aparenta não ter 30 e como essas pessoas sempre aparentam mais idade do que têm, esse deve ser realmente bem novo. Ele está sempre sentado ou deitado nos bancos do ponto. Quando está acordado é sempre sorridente e isso, percebe-se, incomoda as pessoas a sua volta.

Passam muitos ônibus por essa região e eles vão para diversos lugares, de modo que o ponto está sempre cheio de gente. E como esse moço está sempre por perto, há sempre um vazio ao redor dele.

Tem dificuldade pra falar, emite sons mas não forma palavras, pra pedir esmolas ele estende uma das mãos e com a outra aponta para a boca e sempre sorridente. Ele insiste e quando a pessoa tenta sair de perto ele vai atrás, mas nunca o vi encostando em ninguém. 

Embaixo de toda sua sujeira ele é um jovem bonito. Suas roupas são sempre sujas mas não são as mesmas e seu cabelo e sua barba nunca crescem muito, em algum lugar lhe dão banho, roupas e alguma ajuda.

Nunca lhe dei nada, não sei se sou fria demais, mas não costumo ajudar pessoas desse modo, nem ao menos acredito que isso é ajuda. Ele já me perseguiu algumas vezes, mas aprendi que se ficar parada ele se cansa mais rápido, acho que se diverte quando alguém tenta fugir dele.

Tenho reparado em tantos mendigos que ainda descreverei mais alguns, sou muito observadora e eles permitem que os acompanhe.

 

 

Rembrant , auto-retrato como um mendigo (1630)      

      



Escrito por Girl in the box às 23h08
[   ] [ envie esta mensagem ]




A diferença entre gostar e precisar

Duas semanas atrás estava em aula no período da manhã (segunda a sábado), trabalhando à tarde; à noite, terminando os trabalhos do semestre e estudando para as provas. Acorda às 5 da manhã, despenca na cama 11 da noite e “vamo ki vamo”.

Não quero pena, não me sentia mal, apenas cansada, na flor da idade, 21, hora certa pra fazer tudo isso e mais um pouco, ainda acho que poderia produzir mais.

Esta semana estou de férias total, sem aula, sem trabalho, dormindo e acordando tarde, sem horários, sem obrigações. Um enorme contraste com o final do semestre, do sem tempo para o tempo pra qualquer coisa. Cinema, livros, cama, filmes de madrugada, internet procurando qualquer bobeira, sair com os amigos.

É tão bom ficar em paz, sem prazos e correrias que me pergunto até que ponto a vida nos levou à loucura.

Quando estou a mil por hora sempre acho que faço pouco, que poderia estudar mais, me dedicar mais, aprender e absorver melhor as coisas, trabalhar e trabalhar e ser produtiva e...

Pra que tudo isso? Qual é o fim? O que primeiro me vem à cabeça: dinheiro.

Pergunto se depois de ganhar alguns milhões de reais jogando na loteria alguém continuaria estudando e se dedicando ao trabalho para chegar à tão famosa realização profissional e pessoal. Conversa.

Nos dedicamos tanto por que a vida ta difícil, se sustentar é complicado e se não nos dedicarmos e nos empenharmos, não tem o que comer, não tem o que vestir, não tem como bancar o cinema, a cerveja, a viagem.

Então assim ficamos, camelando o quanto podemos, nos iludindo de que isso tudo traz um grande crescimento pessoal, loucos para um final de semana sem trabalho ou uma semaninha de férias para gastar a merrequinha que ganhamos naquilo que realmente gostamos, lendo um romance ou saindo pra dançar.

Não que eu não goste do que faço, do que estudo ou no que trabalho, mas tudo que exagera cansa e não há com dividir o tempo. Tenho que continuar a semana indo à faculdade 6 dias, trabalhando mais 20 horas, estudando no que resta e deixando meio sábado e um domingo para dividir todas as outras atividades das quais também tenho muito prazer em fazer, mas que não garantem dinheiro para continuar fazendo.

Não é uma lamentação, é uma constatação, a realidade da classe média paulistana, assim sou eu, meus pais, meus amigos, meus irmãos, meus tios, meus vizinhos... Quem quer algo tem que ralar muito sim.

Querer. Eu, como pobre mortal, quero sim essa tal realização profissional, ter um trabalho que me empolgue, me agrade, ao qual tenho orgulho de me dedicar. Ainda no plano do querer, eu quero que isso me proporcione um duplex, um carro grande, férias na Europa, casa em Campos do Jordão para o inverno.

Enfim, se a profissão proporcionar trabalho bacana, um ap meu, um milzinho na garagem e uma barraca de camping pra conhecer o Brasil nas férias, acredito que será um bom começo.   

Ás vezes a eterna busca por aquilo que é melhor, que parece perfeito, nos faz perder o bom, o aceitável, aquilo que muitas vezes está ao nosso alcance mas que a ambição e a busca cega pelo ótimo não nos deixa perceber.

 

 

Foto de Sebastião Salgado: Bovespa, abril de 1996

  



Escrito por Girl in the box às 18h09
[   ] [ envie esta mensagem ]




Um pouco de homens

Texto publicado na revista CartaCapital de 7 de julho de 2004.

Bolas - Clarah Averbuck

Culhão. Homem tem que ter culhão. Não aquela macheza de lutador de vale-tudo, nada disso. Isso aí de força física qualquer mane tem, aliás, força física é coisa de mané.

Eu estou falando de culhão, bolas.

Culhão de gostar de mulher forte e não fugir dizendo que prefere uma mulherzinha. De assumir um compromisso e não ficar se refugiando nos braços de umas putinhas de carne firme e bunda empinada quando a coisa apertar, só pra se sentir macho. Culhão de botar filho no mundo e cuidar, e agüentar a mulher histérica na gravidez, e agüentar ver o parto sem desmaiar. E ainda ter tesão depois.

Culhão de admitir quando está errado. De bater o pé quando está certo. De encarar a vida e não se acomodar pra deixar o sangue esfriar. De chorar quando sentir vontade, porque chorar é coisa pra macho. De se emocionar com algo mais do que futebol. De mandar tudo às favas às vezes e se mandar pra se encontrar. Culhão de ir embora quando as coisas são irreparáveis em vez de sentar a bunda no sofá e esperar uma intervenção divina. De tentar consertar tudo quando vale a pena.

Culhão de viver as coisas mesmo sabendo que pode se dar mal no fim. Mesmo tendo certeza de que vai se dar mal no fim. A vida não tem anestesia e anda de mãos dadas com a dor.

De não rir em piadas sem graça pra agradar. De assumir o que gosta e o que não gosta mesmo que vire motivo de chacota. De ser absolutamente devotado a algo, música ou uma mulher, sem ter pudores ou se importar com o resto do mundo.

Culhão de ir atrás dos sonhos, por mais bestas e utópicos que pareçam. E conseguir realiza-los e calar a boca de todo mundo.

De se vestir como bem entender. De tomar uns porres e dar uns vexames e fazer de novo depois. De pedir colinho quando precisar em vez de ficar se fazendo de fortão.  De resistir às tentações da carne, porque a carne é fraca, mas a cabeça não pode ser. De se jogar quando o abismo chama.

Culhão de trocar o certo pelo duvidoso sem pestanejar quando tem que ser feito, porque tem que ser feito. De não fingir.De falar em vez de ficar se esquivando. De não sumir e encarar as coisas quando devem ser encaradas.

Acho que é isso. Culhão. Você tem culhão? Espero que você tenha. Ou que seu homem tenha. Ou aprenda a ter. Se bem que isso não se aprende, é inerente. Ou você tem, ou você não tem. Espero que você tenha.

 

Esse texto tem alguns clichês, mas de modo geral achei-o muito bom.

Mas, meninas que me acompanham, não se enganem, não disfarcem, não se façam de desentendidas: não são apenas homens que devem ter culhão, nós, moças, também precisamos da força das tais bolas! Estou tentando encontrar as minhas, meu namorado tem as dele.

 

PS: Agora também tenho um Flog!!!  http://www.fotolog.net/killalla/



Escrito por Girl in the box às 23h10
[   ] [ envie esta mensagem ]




O efeito do transporte público

Ontem estava lendo Noites sem fim, do Neil Gaiman, ouvindo Nevermore. O quarto capítulo tem o título Quinze retratos de desespero – Barron Storey e Dave McKean – fiquei pensando no desespero. A cereja do bolo foi ouvir St. Anger do Metallica hoje, este cd e Nevermore (de um modo geral) têm letras fortes, pesadas. No meu longo caminho até em casa vim tentando entender o desespero.

Misturei sentimentos, o medo parecia estar sempre presente, insegurança, impossibilidade, o não poder, o não saber o que fazer, o não agir, o não controle da situação. Tudo muito negativo, escuro, cheio de neblina.

Novamente fui atrás do dicionário, gosto de consulta-lo, entender as origens das palavras, emprega-se tantos termos errados ultimamente por não saber seus significados corretos. Blá blá blá... Desespero: estado de profundo desânimo de uma pessoa que se sente incapaz de qualquer ação; desalento; estado de consciência que julga uma situação sem saída; desesperança; estado de desânimo, de sofrimento a que se sujeita uma pessoa devido a um excesso de dificuldades e de aflições; aflição, angústia, exasperação; aquilo que, pela sua dificuldade e por uma exigência de perfeccionismo, causa frustração ou desânimo; irritação profunda; cólera, furor, raiva.

Pesado, forte

Sentimentos que queimam por dentro, fazem você perder o sentido

O que muda é a reação, o que fazer?

Chorar desesperadamente

Fugir, correr, atravessar o oceano

Pendurar uma corda no pescoço

Comer muito ou esquecer que precisa se alimentar?

Gritar e gritar muito pra fazer com que tudo saia

Ficar quieto num canto, esperando que ele não note você e vá embora.

E como tudo termina?

O choro seca

Do mesmo jeito que foge, volta

Suicídio?

Já se sentiu o desespero? 

Eu já, eu acho...

O 9º Retrato do desespero - Her kiss is the deep ocean / Her kiss is not the deep ocean / Her kiss is the grey sky / Her kiss is a blind alley / Her kiss is her touch is her breath / is her fingers is what remains / after the laughing is over



Escrito por Girl in the box às 20h30
[   ] [ envie esta mensagem ]




O que eu faço da vida

Estudo contabilidade, vou explicar o que isso significa, mas não se assuste, não vai doer nada! Contabilidade não é uma ciência exata, é uma ciência social aplicada, como administração, economia e direito. A função básica da contabilidade é mensurar tudo aquilo que faz parte de uma empresa, desde o prédio na qual ela funciona até o valor de sua marca. É claro que é preciso lidar com números, mas não necessariamente cálculos complicados, utiliza-se basicamente as quatro operações matemáticas. A grande questão é interpretar os números, entender o que pode ser relevante e importante para saber o que vem ocorrendo na empresa. A contabilidade fornece a base para que a administração tome providências, coleta todos os dados econômicos, mensura-os monetariamente, faz o registro em relatórios e ajuda a interpretá-los.

Quando a contabilidade é feita de modo correto, ela ajuda a identificar falhas e oportunidades no modo de operar de uma empresa, isso é extremamente importante atualmente, pois a competitividade obriga as empresas a exercer um forte controle nas suas contas e operações.

No curso, além das aulas específicas, tenho disciplinas de economia, administração, direito, cálculo, estatística, informática, ética, psicologia e português. Entre as específicas, estão análise de custos, análise de demonstrações financeiras, sistemas de informações contábeis, auditoria e controladoria.

Nessa área, a questão da informação e da comunicação tem se destacado bastante, não basta saber interpretar números, é imprescindível saber o que e pra quem é relevante e também traduzir sua importância para que as pessoas certas possam interpreta-los.

No último semestre fiz um interessante trabalho que relaciona a contabilidade e a interpretação de seus relatórios com a semiótica (ciência que se dedica ao estudo dos signos em todos os seus modos de ações e possíveis comportamentos), destacando bastante a importância da comunicação.

Pra não dizer que tudo em contabilidade é porco e capitalista, há interessantes áreas ainda pouco exploradas como interpretação e formulação de Balanço Social, relatório que objetiva demonstrar o resultado da interação da empresa com o meio (sociedade) em que está inserida e a Contabilidade do Terceiro Setor.

Gosto do que faço, trabalho há um ano e meio na área de pesquisa em contabilidade, principalmente no enfoque da educação contábil no Brasil. Estou gostando de conhecer o lado acadêmico da profissão, apresentei um projeto de iniciação científica esse ano, estou aguardando pra saber se foi aprovado. O projeto é sobre Joint Ventures Internacionais no Brasil, mas esse é um assunto pra outro dia, se é que alguém aguentou ler esse até o fim!!

 

 

 

Símbolo da profissão: caduceu, equilíbrio moral e da boa conduta -  o bastão expressa o poder; as duas serpentes, a sabedoria; as asas, a diligência; o elmo é emblemático de pensamentos elevados. 



Escrito por Girl in the box às 23h26
[   ] [ envie esta mensagem ]




Mulheres - O Retorno!

Voltando às minhas queridas mulheres...

Há uns três anos atrás li um livro chamado “A terceira mulher” do filósofo francês Gilles Lipovetsky. O livro é de 2000 e trata basicamente do lugar das mulheres e suas relações com os homens a partir da segunda metade do século XX. Agradou-me bastante porque não é feminista, não defende nenhum dos gêneros, apenas reflete sobre as mudanças no papel feminino em relação ao amor, a sedução, a beleza física e a relação com o trabalho, com a família e com o poder. Não gosto do estilo “Girl Power”.

 

A primeira mulher é a mulher depreciada, Eva. O homem é superior, dominador, as atividades valorizadas são exercidas pelos homens. Domina a visão da mulher misteriosa e maléfica, causadora da expulsão do paraíso.

A segunda mulher, que aparece na Idade Média e perdura até o início do século XIX, é a mulher enaltecida. Surge o culto da dama amada, perfeita, inatingível. Os mistérios e as virtudes femininas passam do inferno para o céu, são anjos. A mulher é valorizada como esposa, mãe e educadora. O “belo sexo”. Neste momento ainda permanece a hierarquia social dos sexos, as decisões importantes ainda são dos homens, a obediência ao marido é fundamental.

A terceira mulher já não é mais dependente do homem, “manifestação do acesso das mulheres à inteira disposição de si em todas as esferas da existência”. A vida da mulher não é mais predeterminada: casar, ter filhos e cuidar da casa; tudo é opcional diante da sociedade. Não é o fim da desigualdade entre sexos,  homens e mulheres são reconhecidos como donos de seu destino individual, sem que haja uma situação de troca de papéis e lugares. Não é o nascimento de uma realidade unissex, mas uma sociedade aberta, onde as escolhas são livres para ambos os gêneros. Busca-se não a semelhança dos papéis sexuais, mas a não-orientação dos modelos sociais.

 

Minhas considerações pessoais concluem que ainda dentro da terceira mulher há diversas subdivisões de épocas. È muito simples verificar, apenas comparo minha vida e minha posição como mulher ao lado da vida da minha mãe e das minhas avós. Somos todas do século XX, criadas entre a transição e a consolidação da terceira mulher, mas as diferenças são gritantes e não somente entre minha geração e minha avó, mas entre minha vida a da minha mãe. Mas ao comparar meu pai, meus avôs e meus irmãos, não parece que há tantas

 

 

Pelo menos na foto sei que sou a terceira mulher: da esquerda pra direita, Vó Lúcia, Marlene (minha mãe) e eu.

 

PS: meu perfil perdeu os cabelos!! 

 



Escrito por Girl in the box às 19h26
[   ] [ envie esta mensagem ]




O que viemos fazer aqui?

O texto que segue é um trecho da coluna Brasiliana de 16 de junho de 2004 da revista CartaCapital, escrito por Bob Fernandes. Adoro esse tipo de texto que oferece apenas as bases: tire suas próprias conclusões, faça sua análise, entre em outro mundo, não pense com a sua cabeça.  

 

O amor. E a espera...

Trânsito lento em frente ao Parque do Ibirapuera, São Paulo. Numa van uma janela se abre. Em meio a gargalhadas, um grito: “Lindooooo!”

João acena. Ele, nesta terça, está de terno cáqui, gravata e lenço vermelhos, óculos escuros. Cabelos, raiz escura, tingidos de louro, quase amarelos. Da cor do seu Farus, réplica de uma Ferrari comprada há dez anos num feirão de automóveis.

Há dez anos João Antonio Lara Nunes cumpre o ritual.

Quase sempre às quintas, sábados e domingos, veste um de seus 12 ternos; com adereços que tornarão invariavelmente heterodoxa a composição cromática, escolhe um ponto da cidade e estaciona.

Das 4 ás 6 da tarde, pedestres e motoristas das avenidas Pacaembu, Brasil ou Paulista irão percebê-lo, ao lado do Farus amarelo-ovo. Ou recostado no capô. Sozinho, braços cruzados, quase um outdoor de uma fotonovela dos anos 60.

Parado, ao lado da réplica da Ferrari. Soznho, sua mulher, Célia, evangélica e decoradora. A filha, Tatiana, é modelo. Célia o ajuda a se vestir.

Há dez anos João e seu Farus estão nas ruas. Outro carro passa: “Gostoso”. Mais um outro: “Viadooooo!”.

Há dez anos Célia trabalhava como decoradora nas casas Pernambucanas, quase esquina da Consolação com Paulista. Então João tinha um Buggy, azul, “todo incrementado”.

Ele chegava antes do final do expediente de Célia, estacionava numa pracinha ao final da Paulista, esperava a mulher por meia hora. Com a filha de 10 anos do lado.

- Todo mundo passava, olhava e gritava alguma coisa... começou assim.

(...) - De vez em quando alguém joga uma torta, uma bomba de chocolate, mas é só.

(...) - Eu não faço mal a ninguém!

João se denuncia:  

- Eu não tenho colegas. Não tenho um amigo. Somos eu, minha mulher, minha filha e Deus. Mas ninguém.

(...) - Eu sou um homem feliz. Minha mulher é bonita, minha filha é bonita...

E João?

- Eu sou narcisista, mas só vou ser até uns 60 e pouco, 70 anos. Eu tenho espelho em casa, sei o que é ridículo.

Quinta-feira, se não chover, é dia de João estar nas ruas. A decisão está tomada, já na véspera. Se o tempo se mantiver frio, o terno será preto. Mas e a gravata? E o lenço? João:

- Tô em dúvida. Vermelhos... acho melhor o verde.

Verde-limão.

 

 Este é o homem.



Escrito por Girl in the box às 17h01
[   ] [ envie esta mensagem ]




Nada certo.

 Red Orchestra - Dali (1957)

“The picture on the wall look chaotic

I don’t want to look at it

But when I do

I cannot speak because of

The confusion in my head

 

I’m unfit and I want to leap away

But when I do

The red color comes after me

It is fierce and it moves slowly”

 

       The Gathering

 

Acredito que os dois combinam. Combinar é um verbo (conceito) muito relativo, nem todos carregam as mesmas experiências para tornar as combinações inquestionáveis. Detesto a tal da feijoada com pagode, Romeu e Julieta eram dois chatos e dispenso o arroz pra comer feijão de colher.

Na verdade, não agüento mais essa história de relativo... Quase tudo o que tenho feito, estudado, trabalhado, aprendido e sentido tem sido relativo, subjetivo, depende do ponto de vista. Nada é certo, concreto, absoluto, duvido até da minha existência e de tudo o que estou fazendo agora, quem garante que daqui a pouco eu não acordo de um longo sono e vejo que esta que eu penso que sou na verdade não é nada além de uma ilusão da cabeça de alguém que talvez também não exista... Suponhamos então que realmente somos todos reais! Amanhã podemos todos acordar mortos!!

Tenho medo da morte, um medo grande. Acho que nunca tive grandes apelos religiosos, desde criança imaginava o dia em que eu morreria e de repente era como se eu caísse no vazio, sentia um aperto e me desesperava tentando desviar meu pensamento, nunca acreditei realmente que poderia existir uma vida diferente dessa, algo paralelo ou superior. Isso sempre assustou.

Há cerca de 45 dias atrás uma garota que fazia o mesmo curso que eu, com a qual eu cheguei a conviver no começo da faculdade, mas andava distante ultimamente se suicidou enforcada. Ela tinha 22 anos. Isso me assustou, bateram forte essas questões de vida/morte subjetividade e realidade. Ela tinha uma vida normal (?!?!).

Combinará a vida com a morte?



Escrito por Girl in the box às 20h21
[   ] [ envie esta mensagem ]





[ ver mensagens anteriores ]